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25 de fevereiro de 2009, 15:40

Em Foco

Violência dentro de casa

Se é vítima de violência doméstica, saiba que pode contar com o Grupo de Ajuda Mútua, um serviço da AMCV

Violência dentro de casa

A violência doméstica é uma violência de género. Em 95% dos casos, a violência é exercida pelos homens contra as suas namoradas, mulheres ou companheiras. No entanto, é possível observar violência exercida por mulheres, nomeadamente entre casais homossexuais.

Os comportamentos violentos e o abuso de poder de uma pessoa sobre outra, no sentido de a controlar, caracterizam a violência doméstica que, por sua vez, assume muitas formas e pode acontecer esporadicamente ou constantemente. Ao longo do tempo, tem tendência a intensificar a frequência da gravidade.

Apesar de cada situação ter a sua especificidade, há sinais de alarme que podem ser identificados. Conhecê-los é um passo importante para prevenir e parar a violência contra as mulheres.

Exemplos de estratégias do agressor:

  • Minimização de sentimentos e culpabilização
  • Insultos, humilhações e intimidações
  • Isolamento da família e amigos
  • Controlo económico
  • Ameaças e agressões físicas
  • Agressões sexuais e violação

Se você é vítima de algumas destas formas de violência ou se conhece quem o seja, então saiba que:

  • A violência doméstica é um crime punido pela Lei
  • A violência doméstica é uma violação grave dos Direitos Fundamentais, incluindo o direito à sua integridade física e moral
  • As crianças têm direito a uma família não violenta

Ninguém merece ser, em privado ou em público, qualquer que seja a razão agredido, ameaçado, humilhado ou de alguma forma sujeito a maus tratos físicos ou emocionais.

Grupos de Ajuda Mútua

Este é um dos vários serviços especializados da Associação de Mulheres Contra a Violência. Trata-se de espaços de partilha de experiências de vida, de criação de laços de solidariedade e de relações de confiança, que visam, através da informação e da troca de opiniões, restabelecer a auto-estima, fortalecer a capacidade de tomar decisões e de adquirir autonomia.

Objectivo:

Destina-se a apoiar mulheres que, por terem sofrido violência dos maridos, namorados ou companheiros, partilham a mesma situação de vida:

  • Precisam de compreender o que lhes aconteceu
  • Necessitam de aconselhamento jurídico
  • Perderam o emprego
  • Tiveram de fugir de casa
  • Sentem que têm muitos problemas para resolver e poucas forças para isso
  • Precisam de apoio especializado para os filhos
  • Têm de recorrer a muitos tratamentos médicos e urgências

No grupo da AMCV, as mulheres trazem experiências e deste modo:

  • Sentem que alguém as compreende
  • Recebem apoio emocional
  • Partilham informação útil sobre recursos e serviços
  • Procuram resolver dificuldades práticas através de sugestões concretas
  • Sentem-se apoiadas nas suas decisões
  • Põem em prática projectos pessoais

Funcionamento:

O grupo de ajuda mútua da AMCV reúne uma vez por semana, em dia e horário fixos e a participação é voluntária.

À medida que se vão sentindo progressivamente mais informadas, confiantes e seguras para definirem os seus projectos e objectivos pessoais, as mulheres podem utilizar outros serviços especializados, que estão disponíveis nesta associação ou em outras instituições da comunidade, através do Acompanhamento Individual.

Mitos e Realidades

Mito: A violência doméstica é um problema que não afecta muitas mulheres e só existe em famílias de baixo nível socio-económico.
Realidade: Apesar de, em Portugal, não haver dados exactos, as estatísticas internacionais apontam para uma percentagem de 20 a 30% de mulheres vítimas dos seus companheiros ou maridos, que provêm de todos os estratos sociais, de todas as idades, raças e credos religiosos.

Mito: Uma agressão é apenas uma perda momentânea da razão por parte do agressor.
Realidade: Uma agressão a outrem é sempre um crime. O agressor agride para manter o controlo e a coacção através do medo e do terror. Os maus tratos podem ocorrer durante muitos anos e têm tendência a tornar-se, com o tempo, mais frequentes e mais graves, culminando, nalguns casos, em homicídio.

Mito: As mulheres vítimas de violência devem manter-se na relação para não privar os filhos do pai.
Realidade: As crianças, pelo facto de serem expostas a situações de violência, mesmo quando não são fisicamente maltratadas, são crianças em risco, pelas possíveis consequências comportamentais, emocionais e psicológicas que daí advêm e que podem potenciar a perpetuação do ciclo da violência.

Mito: As mulheres vítimas de violência doméstica só o são porque não saem de casa e até devem gostar de apanhar.
Realidade: Ninguém gosta nem merece ser maltratado. As mulheres maltratadas consomem todas as as suas energias, diariamente, a tentar sobreviver e a evitar as agressões. Sentem-se isoladas, incompreendidas e temem pela sua vida e pela dos seus filhos. O perigo de serem mortas aumenta quando se separam. Para além disso, o sistema policial e judiciário no nosso país não lhes garante uma protecção eficaz e é muito moroso.

Mito: A mulher não pode sair de casa porque perde direitos e pode ficar sem os filhos.
Realidade: A mulher tem todo o direito a proteger-se a si e aos seus filhos e a recusar-se a ser maltratada. Note-se que o código penal actual prevê o afastamento compulsivo do agressor, como medida de coacção.

Contacto:

Alameda D. Afonso Henriques, 78-1º Esq.
1000-125 Lisboa
Tel. 21 386 67 22 / Fax 21 386 67 23
amcvportugal@hotmail.com

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