Em Foco
Violência dentro de casa
Se é vítima de violência doméstica, saiba que pode contar com o Grupo de Ajuda Mútua, um serviço da AMCV
A violência doméstica é uma violência de género. Em 95% dos casos, a violência é exercida pelos homens contra as suas namoradas, mulheres ou companheiras. No entanto, é possível observar violência exercida por mulheres, nomeadamente entre casais homossexuais.
Os comportamentos violentos e o abuso de poder de uma pessoa sobre outra, no sentido de a controlar, caracterizam a violência doméstica que, por sua vez, assume muitas formas e pode acontecer esporadicamente ou constantemente. Ao longo do tempo, tem tendência a intensificar a frequência da gravidade.
Apesar de cada situação ter a sua especificidade, há sinais de alarme que podem ser identificados. Conhecê-los é um passo importante para prevenir e parar a violência contra as mulheres.
Exemplos de estratégias do agressor:
- Minimização de sentimentos e culpabilização
- Insultos, humilhações e intimidações
- Isolamento da família e amigos
- Controlo económico
- Ameaças e agressões físicas
- Agressões sexuais e violação
Se você é vítima de algumas destas formas de violência ou se conhece quem o seja, então saiba que:
- A violência doméstica é um crime punido pela Lei
- A violência doméstica é uma violação grave dos Direitos Fundamentais, incluindo o direito à sua integridade física e moral
- As crianças têm direito a uma família não violenta
Ninguém merece ser, em privado ou em público, qualquer que seja a razão agredido, ameaçado, humilhado ou de alguma forma sujeito a maus tratos físicos ou emocionais.
Grupos de Ajuda Mútua
Este é um dos vários serviços especializados da Associação de Mulheres Contra a Violência. Trata-se de espaços de partilha de experiências de vida, de criação de laços de solidariedade e de relações de confiança, que visam, através da informação e da troca de opiniões, restabelecer a auto-estima, fortalecer a capacidade de tomar decisões e de adquirir autonomia.
Objectivo:
Destina-se a apoiar mulheres que, por terem sofrido violência dos maridos, namorados ou companheiros, partilham a mesma situação de vida:
- Precisam de compreender o que lhes aconteceu
- Necessitam de aconselhamento jurídico
- Perderam o emprego
- Tiveram de fugir de casa
- Sentem que têm muitos problemas para resolver e poucas forças para isso
- Precisam de apoio especializado para os filhos
- Têm de recorrer a muitos tratamentos médicos e urgências
No grupo da AMCV, as mulheres trazem experiências e deste modo:
- Sentem que alguém as compreende
- Recebem apoio emocional
- Partilham informação útil sobre recursos e serviços
- Procuram resolver dificuldades práticas através de sugestões concretas
- Sentem-se apoiadas nas suas decisões
- Põem em prática projectos pessoais
Funcionamento:
O grupo de ajuda mútua da AMCV reúne uma vez por semana, em dia e horário fixos e a participação é voluntária.
À medida que se vão sentindo progressivamente mais informadas, confiantes e seguras para definirem os seus projectos e objectivos pessoais, as mulheres podem utilizar outros serviços especializados, que estão disponíveis nesta associação ou em outras instituições da comunidade, através do Acompanhamento Individual.
Mito: A violência doméstica é um problema que não afecta muitas mulheres e só existe em famílias de baixo nível socio-económico. Mito: Uma agressão é apenas uma perda momentânea da razão por parte do agressor. Mito: As mulheres vítimas de violência devem manter-se na relação para não privar os filhos do pai. Mito: As mulheres vítimas de violência doméstica só o são porque não saem de casa e até devem gostar de apanhar. Mito: A mulher não pode sair de casa porque perde direitos e pode ficar sem os filhos. Contacto:
Realidade: Apesar de, em Portugal, não haver dados exactos, as estatísticas internacionais apontam para uma percentagem de 20 a 30% de mulheres vítimas dos seus companheiros ou maridos, que provêm de todos os estratos sociais, de todas as idades, raças e credos religiosos.
Realidade: Uma agressão a outrem é sempre um crime. O agressor agride para manter o controlo e a coacção através do medo e do terror. Os maus tratos podem ocorrer durante muitos anos e têm tendência a tornar-se, com o tempo, mais frequentes e mais graves, culminando, nalguns casos, em homicídio.
Realidade: As crianças, pelo facto de serem expostas a situações de violência, mesmo quando não são fisicamente maltratadas, são crianças em risco, pelas possíveis consequências comportamentais, emocionais e psicológicas que daí advêm e que podem potenciar a perpetuação do ciclo da violência.
Realidade: Ninguém gosta nem merece ser maltratado. As mulheres maltratadas consomem todas as as suas energias, diariamente, a tentar sobreviver e a evitar as agressões. Sentem-se isoladas, incompreendidas e temem pela sua vida e pela dos seus filhos. O perigo de serem mortas aumenta quando se separam. Para além disso, o sistema policial e judiciário no nosso país não lhes garante uma protecção eficaz e é muito moroso.
Realidade: A mulher tem todo o direito a proteger-se a si e aos seus filhos e a recusar-se a ser maltratada. Note-se que o código penal actual prevê o afastamento compulsivo do agressor, como medida de coacção.

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