Deusas e capachos

Deusas e capachos

Gostarmos de nós próprios evita que nos coloquemos “a jeito” para sermos vítimas de humilhações e desconsiderações, sejam de que tipo for.

 

Pablo Picasso, um dos maiores pintores do século passado, ficou conhecido pela sua arte e também pela capacidade de sedução. Encontrou na pintura uma forma de exprimir as suas paixões. Por exemplo, na Fase Azul encontrava-se dominado pela tristeza mas ao apaixonar-se por Fernande Olivier passa para uma fase alegre e delicada – a Fase Rosa e assim sucessivamente, isto é, a sua criatividade corria a par das emoções.

Certo é que deve-se a Picasso uma frase muito célebre acerca das mulheres. Dizia o génio, que só existiam “duas espécies de mulheres: deusas e capachos!”. De facto, algumas foram imortalizadas nas suas obras, outras caíram completamente no esquecimento.

Mas o que marca a diferença? O que faz com que uma mulher apenas sirva para capacho, enquanto que outra é endeusada? Tudo se resume a duas palavras – autoestima e autoconceito. Gostarmos de nós próprios, termo-nos em boa conta, facilita as relações com os outros. Evita que nos coloquemos “a jeito” para sermos vítimas de humilhações e desconsiderações, sejam de que tipo for.

Mas, a autoestima constrói-se e solidifica-se, com base nas demonstrações de afecto daqueles que para nós significam algo. Alimenta-se de carinhos, de atenções, de elogios sentidos como verdadeiros. Passa também muito pela linguagem não verbal ou seja, por tudo aquilo que vai para além das palavras e que entra no campo dos afectos.

Uma mulher com a autoestima fortalecida jamais servirá de capacho, porque se respeita e, ao respeitar-se, não permite que os outros (sobretudo aquele que é alvo do seu afecto), a desrespeite. Existem depois todas as outras. Aquelas que se habituaram a (sobre)viver muito abaixo dos níveis da dignidade.

Esta postura face aos outros e à vida , é automaticamente sentida pelos que estão à volta, fazendo-os a agir na conformidade. Tornam-se então mulheres sofridas, amargas, queixam-se de ser constantemente maltratadas pelos outros mas, no fundo, são elas próprias que se maltratam.

Ninguém respeita um capacho e, quem se coloca nesse papel, não pode estar à espera de um tratamento diferente. No fundo, há que encontrar meios, internos e externos, que aumentem o autoconceito e fortaleçam a autoestima. Ou seja, não é preciso ser deusa, mas não poderá haver um estado intermédio que não passe por colocar-se sempre no lugar de capacho ?

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Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta

Consultórios:

Clínica de Psicoterapias Breves
Telef.: 21 353 80 50 (Lisboa)

Clínica Servifamília : telef. 217942458 (Campo Pequeno - Lisboa)


Para mais informações aceda ao site: www.teresapaulamarques.com

 

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