Medo da perda

Medo da perda

Não existem hipóteses de estabelecer uma relação quando há permanentemente o medo da perda


Os avanços da medicina fazem com que actualmente quase todas as dores físicas possam ser controladas. Basta ingerir um comprimido mais ou menos forte, para que fiquemos anestesiados.

Seria muito bom que o mesmo se passasse com as dores emocionais. Para essas não existem comprimidos, injecções, cirurgias… simplesmente se aprende a viver com elas!

De entre todas, a dor da morte de alguém que nos é próximo e muito querido, ultrapassa todos os limites. Sofrer uma perda é abrir uma ferida na alma que o tempo pode suavizar mas, raramente, pode curar. Passam os dias … os anos … e a recordação permanece viva.

De forma a atenuar a dor, accionam-se mecanismos psicológicos de defesa que, como todos os “remédios” têm os seus efeitos secundários.

Podem diminuir as dores da alma mas vêem condicionar as relações com os outros, sobretudo no campo das relações afectivas. É que quando se experimenta muito cedo a dor da perda, nunca mais se quer voltar a sentir essa dor e, por isso mesmo, o receio estende-se a quem se tenta aproximar demasiado.

O alarme dispara cada vez que alguém chega perto e, neste sentido, o amor traz consigo o medo da perda. Então, como protecção, tudo se faz para afastar as pessoas de quem se gosta.

Tornamo-nos ciumentos, possessivos, desconfiados … mostramos o nosso lado lunar, que mais não é que um desajeitado pedido de afecto, raramente compreendido. Paradoxalmente, funciona como uma espécie de teste de resistência. Uma prova para ver quem resiste, quem gosta de nós o suficiente para ficar, isto é, se não existe o perigo de sermos abandonados.

Muitas vezes tudo isto se inicia logo nos primeiros dias da relação e, por isso mesmo, os outros colocam-se a milhas e assim se vai intensificando o problema.

De certo modo, acabamos por validar os nossos maiores receios, ainda que tudo tivéssemos feito nesse sentido. Ou seja, as pessoas vão-se embora porque nós lhes infernizámos a vida porque, esticámos a corda até ela partir!

Depois só resta chorar mais uma perda e abrir ainda mais a ferida. É que o medo de perder as pessoas, acaba por afastá-las, uma vez que não existe hipótese de relação quando há medo da perda.

O medo paralisa-nos, faz-nos assumir posturas e comportamentos desadequados. Seria óptimo que os outros se apercebessem disso, que conseguissem desmontar o que está por detrás, sentissem a fragilidade e tivessem uma atitude complementar, que trouxesse segurança e baixasse as defesas.

Mas o certo é que não é isso que acontece. Assim, o medo da perda cria condições para o surgimento de cada vez mais perdas. É como se a morte marcasse sempre presença, de um modo ou de outro.

Face a isto, as alternativas resumem-se a dois caminhos. Iniciar uma terapia onde tudo seja desmontado e convenientemente trabalhado a nível emocional.

Ou então, deixar que o coração vá endurecendo, as cicatrizes emocionais se vão acumulando, as defesas rigidificando e um dia chegará que apenas a solidão consegue entrar por entre as frechas dos enormes muros que erguemos à nossa volta.

Por medo da perda, acabamos por perder o que a vida tem de melhor … a capacidade de amar!

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Texto da autoria da Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta

Consultórios:

Clínica de Psicoterapias Breves
Telef.: 21 353 80 50 (Lisboa)

Centro Servifamília – Campo Pequeno- Lisboa
Telef.: 91 2971820

Para mais informações aceda ao site: www.teresapaulamarques.com

 

 

 

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