Entre homens existem uma espécie de código através do qual se pronunciam acerca das mulheres. Raramente afirmam, de um modo claro, que uma mulher é feia, já que há modos indirectos de dizer o mesmo, ou seja, quando perguntamos a um homem a opinião que tem acerca de determinada mulher e ele responde “é ... simpática”, está tudo dito ! Ele pretende dizer que nunca na vida teria uma relação afectiva com aquela mulher, porque ela não lhe despertou qualquer espécie de interesse do ponto de vista erótico.
O mesmo se passa no mundo feminino. O pior que se pode dizer acerca de um homem é que ele é “um bom rapaz” ou, na sua versão mais actualizada “é um querido”. É que as mulheres fogem a sete pés dos “queridos” e dos “bons rapazes”. Estas criaturas servem apenas para ir ao cinema, quando já se esgotaram todas as outras alternativas de companhia. Apesar de haver da parte destes homens um desejo enorme de agradar, é exactamente este o ponto que os torna desinteressantes.
Estão sempre disponíveis para ver montras e ir ás compras ao Centro Comercial em pleno domingo (coisas que os “outros” abominam”), não reclamam os 40 minutos de atraso, mostram-se satisfeitos mesmo quando o jantar é uma folhinha de alface por estarmos em plena dieta, enfim... são perfeitos ... ou seja... na teoria são perfeitos, na prática são tudo aquilo que nos aborrece. Definitivamente as mulheres não gostam de bons rapazes !
Eles servem para amigos e confidentes, não servem para amantes. Raramente despertam paixões, porque a paixão implica a existência de uma certa margem de risco. Há avanços, recuos, desencontros e reconciliações. É uma espécie de jogo, em que os instrumentos são as emoções. Nada disso é possível com um “bom rapaz” porque ele coloca imediatamente as cartas na mesa e dá o jogo por terminado.
Isto explica porque muitas mulheres optam por se envolver com “maus rapazes” . Eles têm tudo para estimular o interesse e manter acesa a chama da paixão mas, o problema é que muito raramente desejam construir uma relação estável. Alimentam-se das emoções, não conseguem solidificar sentimentos o que os impede de se ligarem afectivamente a alguém.
São mestres do ilusionismo e, por isso mesmo encontram sempre quem os siga, apesar de irem deixando um rasto de infelicidade por onde passam. Por sua vez, os bons rapazes vão ficando sozinhos e, resignados, oferecem-se como ombro amigo onde as mulheres podem chorar as desilusões que os outros lhes provocam...
Nota: o mesmo se passa com as “queridas” e as “boas raparigas”. Raramente um homem se interessa por esta sub-espécie de mulher ... pior se, para além de “uma querida”, for também uma rapariga ... simpática !
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Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta
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