A paixão vai muito para além da atração sexual, assim como um amante é mais que um amigo com quem gostamos de estar. No entanto, ninguém sabe dizer qual o “ingrediente” que marca a diferença, ou o que faz com que alguém se torne diferente aos nossos olhos.
Alguns defendem a tese de que os opostos se atraem, isto é, de algum modo tenderíamos a procurar a “peça” que nos falta. Os especialistas em terapia familiar não concordam e afirmam que são as semelhanças que nos unem e como forma de o provar, fazem uso do celebre exercício dos sistemas familiares. Este exercício é muito interessante e dá-nos uma ideia de como as coisas podem funcionar.
Resumidamente, numa sala solicita-se a pessoas desconhecidas que se agrupem duas a duas. A seguir, os pares conversam um pouco sobre os seus antecedentes familiares, após o qual se devem reagrupar quatro a quatro (semelhante a uma família nuclear). No fim, após terem partilhado a sua história com o grupo restrito, fazem-no para o grupo alargado.
Compreende-se então, que os participantes se escolheram mutuamente, devido a um espantoso número de semelhanças, quer ao nível de história pessoal, quer de família e atitudes. O mesmo pode acontecer quando nos sentimos atraídos por alguém.
De algum modo, emitimos sinais não verbais que passam pela postura, movimentos, sorriso, olhar... que são detectados e decifrados por aquela pessoa, naquele momento. As diferenças são aparentes, o que conta são as semelhanças que nela detectamos. Assim se explica que muitas pessoas que à partida não têm rigorosamente nada a ver uma com a outra, venham a resultar como casal.
Possivelmente, a estrutura quer em termos de valores, quer no modo de estar na vida, é a mesma, o que difere é a forma como o expressam para o exterior. Ou seja, um pode ser mais exuberante, outro mais recatado, mas no fundo, serem versões diferentes da mesma realidade. Claro está que depois o grande desafio consiste em ultrapassar as diferenças, não basta tolerá-las, mas sim aprender a viver com elas e transformá-las em algo positivo para a relação.
O que se passa é que muitos casais não aprendem a fazer este movimento, “esquecem-se” facilmente daquilo que os levou a sentirem-se atraídos um pelo outro. Iniciam um processo que passa pela tentativa de mudança do companheiro, de forma a moldá-lo a seu belo prazer o que, em regra, é o caminho mais directo para o desencanto e, consequentemente, para a ruptura…
Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica
Para mais informações aceda ao site: www.teresapaulamarques.com
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