Pessoa certa no momento errado

Pessoa certa no momento errado

Pode servir de excelente desculpa para um não envolvimento

Por vezes chegamos à conclusão que algumas relações fracassaram, simplesmente, porque não era o momento certo. Talvez por imaturidade, talvez porque era muito cedo para nos comprometermos, talvez.... Costuma dizer-se que “ aos 20, as mulheres querem alguém que as trate mal, aos trinta que lhes dê luta, aos 40 que lhes dê paz “, mas nem sempre é assim...

Algumas mulheres, seja em que idade for, procuram sempre homens complicados e, por conseguinte, obtêm relações complicadas. Vivem envoltas num turbilhão de enredos, traições, histórias pouco claras, seduções veladas... Recorrem depois aos amigos e queixam-se, choram a má sorte que já parece saber, de cor e salteado, o caminho para lhes ir bater à porta. “Era a pessoa certa, o momento é que era errado… ele diz que não se quer comprometer, que já sofreu muito e então é melhor sermos só amigos!”. Quantas vezes já ouvimos isto?

A ideia de ser o momento errado, pode servir de excelente desculpa para não se querer envolver, sobretudo se não há sintonia de objectivos, nem de sentimentos. De forma a não haver uma rejeição clara (que seria sentida como agressão) assume-se que, noutro contexto, as coisas até teriam pés para andar. É, digamos assim, uma saída airosa para o problema.

Existem, porém momentos menos propícios. Casos em que a separação ocorreu recentemente, ou se se está em pleno processo de divórcio litigioso, é possível que não exista disponibilidade para um novo envolvimento, já que situações destas acarretam um forte abalo emocional. Ainda assim, há por vezes a tendência para procurar rapidamente alguém que sirva de apoio, uma espécie de analgésico que não cura, mas adormece a dor. Esta ânsia é um movimento muito egocêntrico, já que não tem em conta os sentimentos do outro.

Claro que depende muito da clarificação que é feita à partida. Muitas vezes está explícito desde o início, que a relação é algo sem futuro, apenas funciona no presente e, se ambos aceitam as regras não há angústias de espécie alguma. Mas, quando se pretende construir uma relação sólida e com futuro, há que ter consciência de que é preciso haver uma arrumação interna de forma a ser possível voltar a envolver-se a 100% e, nesse caso, explicar à outra pessoa essa indisponibilidade é, também, uma forma de demonstrar afecto e respeito.

Não ceder à tentação de se envolver por envolver, é uma decisão difícil, mas que demonstra maturidade. É, também, a única maneira de preservar o que é possível preservar, deixando o futuro em aberto.

 
Texto da autoria da Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica

Para mais informações aceda ao site: www.teresapaulamarques.com

 

 

 

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