Eles podem falar de carros e futebol e nós de filhos ou de moda e podem propor-nos soluções milagrosas para os nossos dilemas, quando queríamos apenas que nos ouvissem.
Mas, para Terri Conley, professora doutorada de Psicologia na Universidade do Michigan e investigadora na área do estigma social e sexualidade, «homens e mulheres são mais semelhantes do que diferentes».
Coordenadora do artigo «Women, Men and the Bedroom», que reviu vários estudos científicos sobre os papéis sociais de ambos os géneros e a sua relação com a sexualidade, espera «ajudar a dissipar mitos comuns e a tornar as pessoas mais conscientes dos fatores sociais relacionados com o sexo (mais que razões supostamente baseadas na biologia)». Conheça a verdade por detrás de cada estereótipo, pela voz da autora.
«A noção de que os homens querem uma parceira sexy enquanto elas querem um com alto estatuto baseia-se na análise dos parceiros ideais de jovens adultos», lê-se no artigo. A equipa de Terri Conley reviu um estudo que, para passar o foco de análise para o «real», se baseou nas perceções dos participantes face a pessoas que tinham conhecido em encontros de speed dating.
«A atração física e o estatuto são igualmente importantes para homens e mulheres», concluíram. «Quando confiamos nas perceções quanto a parceiros ideais, focamo-nos nos preconceitos das pessoas sobre os géneros», diz Terri Conley. «Este preconceito pode dissuadir homens e mulheres de desenvolverem relações adequadas porque suspeitam do outro género», sublinha ainda.
Nos estudos sobre o número de parceiros sexuais de homens e mulheres, «os participantes muitas vezes comportam-se de formas que acreditam parecerem bem para as outras pessoas», advogam Terri Conley e a sua equipa. Para eliminar este efeito, os autores de um estudo de 2003 submeteram os participantes a um (falso) polígrafo enquanto os questionavam sobre a sua história sexual, o que os fez acreditar que as mentiras seriam detetadas.
Como resultado, as diferenças típicas entre eles e elas desapareceram. «É comum que as mulheres possam sentir menos desejo porque o encaram como socialmente indesejável. Talvez sentissem mais desejo focando-se em modelos sociais que são sexualmente assertivos», destacam ainda os investigadores.
Esta ideia é contrariada por um estudo de 2011. Durante uma semana, estudantes universitários usaram contadores manuais para registarem o número de vezes que pensavam em sexo, em comida e em dormir. «Os homens pensaram ligeiramente mais em sexo, mas também pensaram significativamente mais em comer e dormir», diz Terri Conley.
Segundo a especialista, «a um nível menos consciente, elas possivelmente pensam menos nas suas necessidades pessoais porque foram socializadas para serem mais altruístas e cuidarem dos outros. Mas também pode haver vergonha consciente porque reconhecem que é menos socialmente aceite que expressem os seus desejos». «Para estarem mais atentas às suas necessidades e desejos físicos, as mulheres devem ter uma mente mais aberta e aprender a comunicar melhor com o seu corpo», refere.
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