O ponto G masculino

O ponto G masculino

Um antropólogo debruçou-se sobre as várias teorias acerca do desejo dos homens e descobriu que a sociedade atual o quer domesticar


O desejo masculino era um tema que Franco La Cecla, antropólogo e arquiteto italiano, queria abordar há já algum tempo, sobretudo porque constatou que se dá mais importância ao feminino.

Este interesse transformouse, agora, num livro, «Il Punto G dell'Uomo» [«O Ponto G do homem», em tradução literal].

Publicado em Itália pela editora Notetempo, esta obra pretende alertar homens e mulheres para uma questão que o autor diz estar esquecida e até chega a ter má fama, justificando essas afirmações ao longo do livro.

As diferenças

«Egoísta, predador, agressivo, violento, impulsivo». De acordo com Franco La Cecla, estes são alguns dos adjetivos que a sociedade usa para caracterizar o desejo masculino. Em contrapartida, o feminino é sacralizado e, nisto, o antropólogo não podia estar mais em desacordo, como demonstra num artigo que escreveu na revista Velvet italiana. Franco La Cecla explica que a imoralidade atribuída ao desejo masculino tem sido a sua salvação, ou seja, «a força de exceção e de infração é aquilo que o torna diferente da norma da vida quotidiana».

E para o provar vai buscar as palavras do filósofo alemão Hegel, que afirmava que «o desejo é, por natureza, prevaricador, quer o outro como um objeto». Numa entrevista à revista feminina Gioia & Co, o antropólogo refere que o desejo está desvalorizado. «Os antigos pensavam que era uma força perigosa, hoje parece algo banal, ao qual nos dedicamos no tempo livre (...) Como se o desejo fosse algo pessoal e não um diálogo a dois», explica.

Ignorância masculina

Todo esse negativismo também é culpa da ignorância masculina, diz o autor no livro. «Uma das tragédias da masculinidade contemporânea é a falta de comunicação entre as diferentes gerações de homens. Os que têm 20 anos não falam com os de 30 e os de 60 anos com os de 40 (...). Fala-se de muita coisa entre os homens, mas pouco quando o tema é o desejo». (...) Entre a impotência e o medo da impotência de um homem de 20 anos e um de 60 anos existem muitos pontos em comum, que podem criar complexidade, comoção e comunhão», acrescenta o autor.

Num artigo que escreveu para a GQ transalpina, Franco La Cecla diz que o desejo nos precede, logo devemos darlhe ouvidos, apesar de ultimamente nos termos esquecido dele, devido, em parte, à moralização e politização do sexo. Quanto ao ponto G masculino, o antropólogo não tem dúvidas que, a existir, são as mulheres. «É no corpo destas que o homem se encontra», diz no mesmo artigo, acrescentando que espera que a impertinência, os piropos e a coragem de seduzir e cortejar, tão característicos dos homens, não desapareçam. «Foi em homenagem a este património que escrevi o livro», realça.

Texto: Rita Caetano

 

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