Se os príncipes se transformam em sapos, as princesas transformam-se em quê ?!?

Se os príncipes se transformam em sapos, as princesas transformam-se em quê ?!?

Enquanto não nos convencermos que o caminho que leva ao amor é muitas vezes sinuoso, continuaremos a suspirar por paixões que só existem nos contos de fadas

Na minha actividade diária procuro transmitir a importância que os contos de fadas têm na estruturação da personalidade. Incentivo as Educadoras e Professoras primárias a criarem espaços onde contem histórias às crianças, aquelas clássicas que preenchem o nosso imaginário. Porém, ás vezes questiono-me se os contos de fadas não são os responsáveis por nos elevar as expectativas, a tal ponto que um dia mais tarde a desilusão do confronto com a realidade é brutal.

Porque será que ninguém nos explica que os sapos se transformam em príncipes, para depois voltarem a ser sapos.. novamente príncipes e assim sucessivamente? Além disso, nós mulheres também não estamos imunes a estas mudanças, ou seja, não somos sempre princesas. Não podemos estar sempre impecáveis, bem cheirosas, de unhas arranjadas e cabelo irrepreensível .... assim como temos um “lado lunar” que emerge de vez em quando.

Podemos até apontar o dedo ás hormonas e declará-las culpadas de todos os males que povoam o universo feminino. Também podemos dizer que nos enganaram durante toda a infância. Que ficámos á espera que, um dia, um príncipe nos viesse dar um beijo que nos fizesse acordar para a vida. Esta atitude de passividade acaba por dar muito jeito.

Contudo, enquanto não nos convencermos que o caminho que leva ao amor é muitas vezes sinuoso e dificil de percorrer, continuaremos a sofrer e a suspirar por paixões que só existem nos contos de fadas. Erguer as bases de uma relação é uma tarefa árdua. Implica aceitar que existem pontos de união mas, também, de desunião.

O percurso que leva à aceitação das diferenças, não pode ser percorrido apenas por um dos elementos do casal. É, infelizmente, muito frequente que um se coloque no lugar de príncipe, intocável e imaculado, enquanto que o outro se vira literalmente do avesso para lhe satisfazer os caprichos, o que gera uma enorme frustração.

Por isso, cada vez mais sou movida pela convicção de que para atingirmos o que procuramos, temos de primeiro olhar para dentro de nós próprios. Aceitarmos que não somos perfeitos, que também temos limites e até somos inundados por sentimentos menos nobres como a raiva, a inveja, o ciúme, a insegurança ... mas que nada disso é grave e apenas nos torna humanos!

Depois é aprender que as situações raramente acontecem como sonhámos, que cada acontecimento tem a sua hora certa e que a vida nem sempre é justa e perfeita. Que, por debaixo da pele de príncipe existe sempre um sapo (e vice-versa) mas que isso não impede que o final seja o clássico ... e foram felizes para sempre !

 

 
Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta

Consultórios:

Para mais informações aceda ao site: www.teresapaulamarques.com

 

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