No seu mais recente livro, «A Dieta Inteligente», publicado em Portugal pela editora A Esfera dos Livros, Pilar Riobó Serván, endocrinologista espanhola, não promete milagres, mas antes uma dieta equilibrada, onde não há alimentos proibidos.
A especialista é apologista da dieta personalizada que ensina a fazer as melhores escolhas alimentares e que deve ser acompanhada de exercício físico. Veja o que ela nos revelou!
É uma dieta que não engana nem promete emagrecer em três dias. É saber escolher os alimentos e aprender a comer bem, ou seja, é uma dieta para toda a vida. Com ela aprendemos que há alguns alimentos que se podem comer todos os dias, enquanto outros se devem ingerir de forma ocasional, como os bolos.
Exatamente. No entanto, a base da alimentação devem ser os produtos agrícolas, como os vegetais, mas também as proteínas, provenientes essencialmente do peixe. Podemos comer de tudo, desde que usemos formas de cozinhar saudáveis, nomeadamente cozer, grelhar, cozinhar no forno e sem adição de muitos molhos são as melhores opções.
Prefiro falar de alimentos que devem ser excepcionalmente ingeridos, porque de vez em quando sabe bem comer um bolo.
Sim. Por um lado, as dietas muito restritivas são erradas porque as pessoas voltam a ganhar peso. Por outro, as pessoas obesas ou com excesso de peso sofrem, frequentemente, de perturbação de ingestão compulsiva. Isso significa que a comida é uma espécie de ansiolítico, que não se pode retirar de uma vez só. Uma em cada três pessoas que vão à consulta de controlo de peso tem um problema deste tipo, logo antes de passar à dieta há que controlar a ansiedade.
Porque é fácil perder peso, o difícil é mantê-lo a largo prazo. Uma dieta milagre tem uma perda e brusca de peso, que depois se recupera, e inclui perda de água e de massa muscular e esta é difícil de recuperar.
Produzem uma sensação de fracasso, podem ser muito deficitárias nutricionalmente e prejudicar a saúde. Por exemplo, as dietas hiperproteicas estimulam a perda de osso e a eliminação de cálcio pelos rins, favorecendo a osteoporose a longo prazo.
Sim, há casos de obesidade genética, que estão relacionados com uma hormona que se chama leptina, mas são a exceção. Na maioria das situações engordamos porque somos descendentes de pessoas que sobreviveram a épocas de penúria económica e alimentar desde a Pré-História, e o organismo tem capacidade para acumular os nutrientes ingeridos para sobreviver a períodos de carência. Por exemplo, as culotes (gordura acumulada na área superior da coxa) que tantas mulheres odeiam, não são mais do que zonas de armazenamento.
Exato, mas terão de passar muitos anos para que a genética e a solução natural se vá adaptando ao excesso alimentar. Até lá, a acumulação de peso estará na origem de várias doenças, como as cardiovasculares. A geração atual de crianças americanas, onde há um obeso em cada quatro, será a primeira a ter uma esperança de vida menor do que a dos seus pais. Muitas delas já sofrem de diabetes tipo 2, que anteriormente era designada por diabetes de adulto, e terão complicações aos 30, 40 e 50 anos quando em teoria deveriam tê-los aos 70 anos.
Veja na página seguinte: Qual é a importância do sistema endócrino no peso?
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