Esta patologia crónica, progressiva e inflamatória do tracto gastrointestinal afecta alguns cidadãos portugueses. Por estar ainda bem camuflada e os seus sintomas serem, em alguns casos, confundidos com outras doenças, dificulta o seu diagnóstico.
Doença de quê?! Sim, nos dias que correm é comum ouvirmos este tipo de expressões atónitas quando se fala em doença de Crohn. De facto, pouco se tem sensibilizado em torno deste assunto. Pode dizer-se que a patologia “saltou para a ribalta” a partir do momento em que afectou algumas celebridades. Um exemplo disso é a cantora Anastacia.
Uma das características desta doença é o facto de ser descontínua, ou seja, entre a boca e o ânus, qualquer zona do tracto gastrointestinal pode ser afectada. Em cerca de 75% dos casos o intestino delgado – especialmente o íleon terminal – está envolvido. No entanto, em apenas 15 a 25% das vezes o cólon está em causa. Diz-se que se trata de uma inflamação transmural, uma vez que envolve todas as camadas da mucosa, desde a submucosa à muscular. Este processo faz com que o intestino, a longo prazo, adquira fibrose, o que degenera na diminuição dos segmentos intestinais. Assim, um menor calibre das ansas intestinais pode promover uma obstrução parcial ou completa do lúmen do instestino.
Estudos realizados revelam que a doença predomina na raça caucasiana e etnia judaica. Também está comprovado que possui uma componente hereditária bastante forte, mas mais num sentido de predisposição genética familiar do que propriamente por “herança”. Por vezes, a patologia vai enfraquecer os doentes, uma vez que reduz as defesas do organismo, isto é, do sistema imunitário.
Conforme o Dr. Alexandre Fernandes: “ 1/3 ou 1/4 da doença surge antes dos 20 anos, verificando-se, nestes casos, perda de peso e atraso no crescimento”. Também é comum a patologia levar a uma perda de peso devido à má absorção dos alimentos. Esta situação é desencadeada por: estenose (estreitamento do tracto gastrointestinal); inflamação dos segmentos intestinais acompanhada de proliferação bacteriana; envolvimento inflamatório do jejuno (situado no intestino delgado); intestino encurtado por uma remoção parcial do mesmo com consequente diminuição da absorção nutricional.
Há situações em que a inflamação do intestino é de tal forma grave que a cirurgia é inevitável.
“É aconselhável procurar a ajuda de um profissional e apostar na prevenção: uma dieta saudável e equilibrada”
Tratamento Aconselhável
Nos quadros em que se apresenta má absorção há necessidade de vários tipos de terapêutica. É necessário conciliar terapêuticas de suporte (a nível nutricional) e clínicas (medicação) na recuperação estato-ponderal, principalmente nos indivíduos mais jovens.
Em casos extremos os doentes podem sofrer de inflamações extensivas e/ou múltiplas, o que provoca dor à passagem dos alimentos. Desta forma, e em último recurso, recorre-se à nutrição enteral (através sonda gástrica) ou parenteral (através de cateter), para que todo o canal digestivo seja preservado.
A terapêutica clínica envolve corticosteróides, agentes inflamatórios, imunossupressores e alguns antibióticos.
Quando a situação é tratável através de uma dieta oral, esta deve ser hiperproteica e hipercalórica (principalmente durante as fases agudas da doença). As fórmulas nutricionais compostas por ácidos gordos ómega 3, aminoácidos específicos (como a glutamina), antioxidantes, suplementos vitamínicos e minerais e o uso de fibras fermentáveis devem ser recomendáveis como estratégias de combate à doença.
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