São doenças que se confundem entre si porque, na maioria das vezes, os principais sintomas são semelhantes. Febre, tosse, nariz obstruído, dores de garganta incomodam-nos no inverno e levam a que, frequentemente, se faça um autodiagnóstico.
«Estou com gripe», é comum ouvir-se, quando a pessoa tem apenas uma constipação.
O estudo «Atitudes e Comportamentos face às infeções respiratórias», apresentado recentemente, revelou que cerca de 30 por cento dos portugueses recorre à toma de chá e mel para prevenir estas patologias e 12 por cento associa-as a ambientes poluídos. Para que tenha uma saúde de ferro no inverno, Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista, analisa as principais doenças respiratórias desta época do ano.
Doença infecciosa do aparelho respiratório, a gripe predomina nos meses frios de inverno, «causada pelo vírus Influenza e habitualmente limitada no tempo, podendo propagar-se, nomeadamente, através da tosse ou espirros de doentes infetados», explica Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista. O seu alvo principal é a população com mais de 60 anos e as crianças com doenças pulmonares crónicas, por exemplo a asma, estão mais predispostas a estas infeções, bem como trabalhadores da área da saúde.
Febre, habitualmente elevada, dores musculares, dores de cabeça e «mal-estar geral, o que, no típico contexto epidemiológico (época do ano, surto gripal e/ou contacto com pessoa infetada), permitem o diagnóstico», são os principais sintomas a que devemos estar atentos, segundo o pneumologista.
«O tratamento pode constar unicamente da toma de antipiréticos e/ou anti-inflamatórios, para a febre e dores já referidas, ou também de xaropes ou comprimidos para drenar as secreções em abundância», explica o pneumologista. O tratamento pode incluir a toma de antibiótico, para prevenir complicações bacterianas que poderiam fazer evoluir para uma situação mais grave ou ainda medicação antiviral, em quadros clínicos mais severos.
A constipação é uma doença infecciosa das vias aéreas superiores, mais frequente no outono e inverno, «também conhecida como coriza, autolimitada a um período de dois a três dias, cujo contágio se faz habitualmente através das secreções respiratórias emitidas da população doente» salienta Carlos Robalo Cordeiro. A constipação pode atingir qualquer pessoa, estando mais sujeitas a esta infeção provocada por vírus pessoas com patologia crónica, como a diabetes, doenças cardíacas ou respiratórias.
«Os sintomas mais frequentes são congestão ou corrimento nasal e dor a engolir», exemplifica. «Só com febre alta, maior debilidade ou queixas respiratórias como tosse ou rouquidão arrastadas, se deverá recorrer a cuidados de saúde mais diferenciados e eventualmente realizar radiografia do tórax ou análises», esclarece o pneumologista.
Sendo uma doença habitualmente limitada a três ou cinco dias, «o tratamento pode constar principalmente de medicação para a febre, anti-inflamatórios para as restantes queixas, antialérgicos para o corrimento nasal ou ainda descongestionantes nasais, a utilizar mais raramente e em períodos curtos», salienta.
Trata-se de uma infeção pulmonar, habitualmente provocada por bactérias. Instala-se de forma súbita, muitas vezes em indivíduos debilitados, «e necessita de diagnóstico através de radiografia do tórax, exigindo um tratamento mínimo de uma semana com antibióticos», explica Carlos Robalo Cordeiro.
As pneumonias são as infeções mais graves do aparelho respiratório, sendo mais frequentes em indivíduos idosos e/ou com doenças crónicas e em indivíduos com diminuição das defesas do organismo, como os doentes com sida ou que fazem quimioterapia. E quais os sintomas? «Existe habitualmente febre alta, tosse com expetoração esverdeada, por vezes também com emissão de sangue e variável repercussão sobre o estado geral, que pode determinar também diminuição do apetite e emagrecimento», enumera o especialista.
tratamento antibiótico tem de ser iniciado de imediato após o diagnóstico. Carlos Robalo Cordeiro acrescenta que «em idosos com saúde fragilizada, doenças crónicas graves ou com dificuldade respiratória importante, o tratamento deve ser feito em internamento e incluir diversas medidas, entre as quais, a administração de oxigénio.»
Veja na página seguinte: Como defender-se da asma e da bronquite
O artigo foi enviado para o email indicado
Ocorreram erros, verifique os campos a vermelho