Há muito que o Dao Yin qigong, (exercícios para condução da energia) como arte remota, tem um efeito saudável no corpo humano. Muitas lendas se contam mas recentemente, este efeito foi comprovado na prática clínica através de investigações médicas. Mas o que é o Qi Gong ?
Originário da china, conhecido pela arte da longevidade, este sistema terapêutico (família das artes marciais e da medicina tradicional chinesas) tem como fim o fortalecimento da energia e defesas do organismo, bem como a prevenção contra as energias adversas (xie), vento, humidade, frio, calor.... A sua pratica regular tem uma grande influência no nosso organismo, tal como sistema nervoso, respiratório, circulatório, digestivo, endócrino e imunológico. Neste artigo falaremos de sistema nervoso, e respiratório.
1. No Sistema Nervoso
O córtex cerebral é uma das partes mais importantes do sistema nervoso. Os efeitos positivos do qi gong no cérebro podem ser observados por electroencefalograma, um exame através do qual é possível registar e interpretar a actividade eléctrica do cérebro. O EEG de um adulto normal, calmo e em plena consciência é composto de ondas alfa, ondas oscilantes regulares e repetidas. Quando um indivíduo está excitado ou sobressaltado, as ondas alfa são substituídas por ondas de baixa voltagem, rápidas e irregulares. Quando está sonolento ou sob hipnose, são ondas teta lentas que aparecem no EEG. As ondas delta, ainda mais lentas, estão associadas ao sono ou coma profundo.
Experiências demonstram que quando um indivíduo entra num estado de tranquilidade profunda através da prática de qi gong, as ondas alfa do EEG se tornam mais fortes do que em circunstâncias normais, com uma maior amplitude, frequência mais lenta e ritmo mais regular. Além disso, as ondas alfa tornam-se mais sincronizadas no córtex cerebral. Estes resultados nunca seriam atingidos por alguém que não praticasse qi gong. Podem ser registadas ondas teta e delta em electroencefalogramas de alguns praticantes, indicando um grau excepcionalmente elevado de inibição no córtex cerebral. Mas o aparecimento destas ondas não é acompanhado por enfraquecimento ou desaparecimento das ondas alfa, como no caso do indivíduo adormecido ou hipnotizado. Isto só demonstra que quando se está sob a tranquilidade provocada pelo qi gong, as condições do cérebro não são as mesmas das de repouso, sono ou hipnose. Implicam uma inibição activa do córtex cerebral contribuindo para a regulação, restabelecimento e melhoramento da actividade cerebral. Esta, assim melhorada, produz um efeito positivo no eixo adrenal pituitário do hipotálamo, que tem uma acção directa no sistema nervoso vegetativo.
Quando um praticante de qi gong está sob um estado de tranquilidade, a excitabilidade do sistema nervoso simpático é reduzida enquanto que a do sistema parassimpático aumenta beneficiando todo o organismo. Ora, um praticante de qi gong não se irrita com facilidade, levando assim a evitar o stress, ou deixar de o ter prevenindo assim problemas cardiovasculares.
2. No Sistema Respiratório
Um adulto respira, normalmente, 16 a 18 vezes por minuto. No entanto, sob o estado de tranquilidade provocado pela prática de qi gong, o indivíduo pode reduzir substancialmente a frequência da respiração. Um bom praticante pode inspirar apenas uma ou duas vezes por minuto sem se sentir incomodado. Através de raios X, observou-se que a média dos movimentos diafragmáticos de um praticante de qi gong é 2 a 4 vezes mais lenta que de um indivíduo comum. Como consequência, a cavidade torácica aumenta substancialmente de volume. Contudo, a acentuada redução na frequência da respiração leva igualmente à redução da quantidade de ventilação por minuto e à diminuição da descarga de dióxido de carbono dos alvéolos pulmonares, resultando no aumento da pressão parcial de dióxido de carbono e na queda da pressão parcial de oxigénio nos alvéolos, assim como a diminuição do grau de saturação do oxigénio no sangue. Estas alterações, como reveladas na análise enzimática do sangue, não são o resultado de um metabolismo anaeróbico elevado.
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