Este ano o Natal será diferente dos outros Natais. Porquê, perguntará o leitor mais desatento às notícias que recorrentemente afirmam que este Natal vai ser diferente. Essas notícias alarmistas dizem que não haverá dinheiro, que faltarão prendas, faltarão luzes brilhando na árvore de natal.
Este ano estamos condenados a um Natal diferente(?!) por causa da crise, dizem os jornais, televisões, os cidadãos. Afinal o que vamos perder todos nós? O clássico cenário da época de Natal, transporta-nos a visões como as que se seguem: Entre mau tempo, chuva e frio, trânsito caótico, compras e confusão, shoppings e hipermercados, lojas apinhadas, todos buscando as ideias mais originais, os preços mais baixos, preparando a melhor figura a fazer no momento da abertura da troca de presentes, na festa da empresa, com os amigos, na noite da consoada.
A dúvida e a incerteza: onde será este ano a consoada, em casa de quem e com quem? Gostando de todos ou só de alguns? E a angústia de ter de trocar prendas e sorrisos com quem não se tolera no resto do ano. E dar o quê a quem? E o preço da prenda que dá, valerá o preço da que vai receber?... Quem é que consegue continuar a aguentar tanta confusão e agitação? Quantos mais Natais nessa inquietude stressante, nesta loucura urbana em que tudo se confunde em ruídos e agitação, entre compras e planeamento, longe do toque humano? Afinal o Natal não é aquele tempo mágico de sonhar e trocar Amor? O tempo de fazer uma pausa, reunir-se com a família e os amigos e reviver histórias e aconchegos?
Este ano, temos uma boa oportunidade para saborear essa magia do Natal. Talvez sem tantas prendas e sem tanto consumismo. Mas por isso mesmo bem mais tranquilo, bem mais próximo das pessoas e da partilha dos afectos. Este ano, vamos viver positivamente o Natal! Com humanismo em vez de materialismo. Perguntemo-nos neste tempo de reflexão o que verdadeiramente nos falta.
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