Manhã – 7h45

-Darling, porque é que não me avisaste?

Estou toda borrada e o meu cabelo parece um esfregão, depois de limpar o toillette público. Sinceramente, não sei se aguento por muito mais tempo, estas tertúlias intelectuais até à hora do pequeno-almoço. Tenho alturas em que só me apetece esganar o orador, aqui entre nós, tanta erudição, só pode ser falta de uma boa queca, mas eu não meto nisso, claro, noblesse oblige. Oh pá, é que ninguém merece ouvir pela madrugada adentro, um tipo a dissertar sobre aberração antifisiológica, pelo amor da santa! Totally freak! Como é que é? Deixo-te em casa ou ainda queres ir comer qualquer coisa?

- É melhor levar alguma coisa ao bucho antes de nos irmos deitar, é que com tanta nicotina tenho as cordas vocais todas queimadas.

- Ai darling, que susto, vê-te lá ao espelho!

- ...

- Recuso-me a entrar contigo nesse estado numa pâtisserie, o melhor é levar-te a casa. Não leves a mal amiga, mas é que pareces mesmo um batráquio fêmea.

- Isso não existe, quanto muito uma rã.

- Ou isso. Eu digo-te uma coisa, com esse coaxar a whisky e essa tez esverdeada, só te falta mesmo um laço rosa na cabeça.

 

Cláudia Lucas Chéu
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