Meia-noite e cinco

Meia-noite e cinco

- Oh mãe, não devia ter gasto dinheiro!

Já lhe disse que tenho tudo, felizmente não me falta nada.  Praticamente nem consigo entrar no closet, tenho dezenas de pares de sapatos e de carteiras, fora os vestidos e os tailleurs. É que pareço a Jackie, depois do Kennedy, viúva, mas com uma herança indumentária a roçar o obsceno.

Bem, o seu presente está mesmo bem embrulhado, parece à prova de pessoas ou coisa que o valha! Sabe uma coisa, também me dava imenso jeito desencantar um Onassis, com a crise que para aí anda, não tarda estou a pôr no prego as jóias de família. A mãe já viu a quantidade de casas de penhores que apareceram nos últimos tempos? Fico chocada, a sério! Ah, já está! Finalmente consegui abri-lo, que coisa mais complicada. Que marca é esta, mãe?

- Não sei, querida, mas comprei-os na “Paris em Lisboa” e a tua irmã também tem uns. São o máximo! Não concordas? E como sei que tens tanta coisa, achei que o melhor investimento era para a tua casa. O teu lar anda tão tristonho, filha.

- A mãe tem noção que eu nem televisor tenho, só um pequeno plasma? Onde é que eu vou pôr isto?

- Usas no quarto de banho ou assim. Está outra vez imenso na moda, acredita, querida. Os naperons são o new black da decoração, a sério, uma espécie de revival do Estado Novo. Não viste as notícias? Os bordados da nossa Joana Vasconcelos já chegaram a Versalhes! Impressionante, é o que é. O que foi? Não gostou, menina?

 

 

Cláudia Lucas Chéu
biografia 

 

 

O artigo foi enviado para o email indicado

sair

Ocorreram erros, verifique os campos a vermelho

Faltam 500 caracteres

Cancelar
 
Comentar
Os comentários ficarão públicos
publicidade
Passatempo

Passatempo

Ganhe 10 coffrets de produtos de beleza e acessórios da Oriflame

Teste

Teste

Tem perfil de líder? Faça o nosso teste e descubra

publicidade