Já lhe disse que tenho tudo, felizmente não me falta nada. Praticamente nem consigo entrar no closet, tenho dezenas de pares de sapatos e de carteiras, fora os vestidos e os tailleurs. É que pareço a Jackie, depois do Kennedy, viúva, mas com uma herança indumentária a roçar o obsceno.
Bem, o seu presente está mesmo bem embrulhado, parece à prova de pessoas ou coisa que o valha! Sabe uma coisa, também me dava imenso jeito desencantar um Onassis, com a crise que para aí anda, não tarda estou a pôr no prego as jóias de família. A mãe já viu a quantidade de casas de penhores que apareceram nos últimos tempos? Fico chocada, a sério! Ah, já está! Finalmente consegui abri-lo, que coisa mais complicada. Que marca é esta, mãe?
- Não sei, querida, mas comprei-os na “Paris em Lisboa” e a tua irmã também tem uns. São o máximo! Não concordas? E como sei que tens tanta coisa, achei que o melhor investimento era para a tua casa. O teu lar anda tão tristonho, filha.
- A mãe tem noção que eu nem televisor tenho, só um pequeno plasma? Onde é que eu vou pôr isto?
- Usas no quarto de banho ou assim. Está outra vez imenso na moda, acredita, querida. Os naperons são o new black da decoração, a sério, uma espécie de revival do Estado Novo. Não viste as notícias? Os bordados da nossa Joana Vasconcelos já chegaram a Versalhes! Impressionante, é o que é. O que foi? Não gostou, menina?
Cláudia Lucas Chéu
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