Vinte e três e cinquenta e oito

Vinte e três e cinquenta e oito

- Estou a desfocar, até me dá vontade de rir, já não sei se aquilo é o Tejo ou o Terreiro do Paço!


O Marquês deve ter tido a mesma dúvida na altura do big tsunami, Veneza devia parecer coisa para meninos, com a força deste rio, se te enfiasses numa gôndola ias parar a Belém ou assim, cataclismos aquáticos nesta cidade só mesmo de traineira. Ai caraças, tens o champanhe contigo? Tenho um feeling que se der mais um gole de álcool,  entro completamente noutra dimensão.

- Então come só as uvas-passas.

- Há muito tempo que não via esta praça com tanta gente, deve ser da crise, acabaram-se as privates parties. E já viste que estão todos tão deprimidos, não empurram nem nada? Ou então sou eu que estou entorpecida e vejo tudo em slow motion. Que horas são isto? Ah está quase! 2012 vai ser um ano e tanto, tenho a certeza! Deixa-me cá pensar num desejo, tem de ser em grande que eu nunca peço “em pequeninos”. Posso estar desempregada, mas um dia ainda vou ser Presidenta deste país, uma espécie de Dilma, mas com muito mais estilo, tenho perfil para isso, acredita.

- Agora fermé ta gueule , tagarela cosmopolita! Já está na hora, aqui vai: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1! Bom Anooooooooooooo!

Happy new year, bitch! Sabes uma coisa, comer passas é o mesmo que ir no metro à hora de ponta ao lado de um fulano todo suado: inevitabilidade e fuga. Olha lá, onde é que está a minha carteira? Fu#k! Não me digas que este ano é a sequela do anterior, tu queres ver que fui outra vez roubada?

 

Cláudia Lucas Chéu
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