És quem as empurra com o cuidado ímpar de um verdadeiro pai. És quem me empurra em direção ao que nos guia aos dois. És ainda aquele que me explica com acções a importância de ser capaz de deslizar nos dias em vez de tropeçar neles.
Nunca gostei de matemática. Prefiro literatura. Mas gosto de alguns números isolados. Gosto da soma das letras que formam as palavras e da soma das palavras que fazem as frases. Gosto desse sinal, o que adiciona. Que acrescenta algo à nossa vida. O “mais” que visualmente é uma cruz. E nos resultados encontro a beleza da palavra que - dita, escrita, cantada ou até mesmo silenciada nos gestos ou na conexão da oração - é sempre importante.
Tu és daqueles que trata as palavras por tu e em várias línguas. Mas também entendes de números. Sabes transformá-los em coisas reais, sem grandes operações. Resolves os problemas matemáticos sem complicações porque se calhar nunca chegas a olhar para eles como problemas. Na tua equação da vida não há incógnita que somada com a tua certeza não dê sempre o mesmo resultado. E se o efeito surpresa é aquilo que nos mostra que estamos vivos, quando combinado com o que temos de mais certo em nós, leva-nos à lógica infalível de que ao somarmos o ponto de interrogação e o valor central de Deus, o resultado final é sempre a fidelidade d’Ele. Aconteça o que acontecer, venha o que vier, façamos o que fizermos, o que pode variar é a incógnita pois o fim é igual ao principio. É aqui que os números, feitos palavras, se confundem e podem confundir os outros.
Tu não te confundes porque és a excepção à regra dos que calculam e se deixam calcular. Só que a tua excepcionalidade não está na sentença aberta que exprime a relação de igualdade chamada equação. O que te distingue dos demais é a argumentação racional que em palavras consegues dar à tua conclusão sempre constante. Tens sido um dos meus melhores professores. Porque quando usas as palavras (principalmente cantadas) para explicar a simplicidade desta equação transformas-te a ti próprio numa adição - de braços abertos. Pronta para que a leitura seja feita. Pronta para que através de ti a interpretação aconteça. Pronta para que seja visível a igualdade que cada um de nós tem no acesso ao tal resultado final. Este “pronto, aqui estou!” acrescenta sabedoria para se lidar com o que se desconhece. Mas às vezes pode demorar décadas até ser encarado como tal. Dez, vinte, trinta… e três anos, já passaram.
33 é um número importante na nossa respiração saudável. Diz a ciência que pronunciar trinta e três provoca vibrações no pulmão cheio de ar. Não é à toa que quando se desconfia de uma pneumonia se pede ao paciente que diga trinta e três, enquanto está a ser examinado. É que se isso for verdade, e o pulmão estiver cheio de fluido, o médico não sente a mesma vibração nas pontas dos dedos. Se tu dizes trinta e três, eu (sem ser médica) sinto uma vibração capaz de fazer vibrar a terra inteira.
Sã, segura e pronta. É a terra que às vezes parece estar doente e precisa que tu a cures do medo da “matemática”. Ela esteve à tua espera durante trinta e três anos. Agora, que já os transpuseste e viveste um ano marcante, em que foste marcado e marcaste os outros, como sempre disseste que ia acontecer, roda o compasso 180 graus e continua a desenhar nas folhas de papel em branco que estão por escrever. Quando me ajudas a soletrar quem eu sou, quando me lês e quando lês tu para mim as palavras que preciso ouvir, cuidas de mim.
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Texto de Mafalda Ribeiro
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