Satisfação: em que versão?

Satisfação: em que versão?

Uma mente satisfeita é a grande revolução por empreender

Por definição, somos insatisfeitos. No lado solar, tem a virtude de nos retirar da inércia e de hábitos que já não satisfazem, e concentrar energias numa nova direcção. A busca de um lugar ao sol. No lado lunar, torna-nos dependentes: da gratificação, do conforto, de um certo estado de humor, do estatuto alcançado. Ou daquele que está acima deste. O insaciável «preciso de», ou, em versão carrasco, «tenho que». Ter. Alguma coisa. Mais qualquer coisa. «Para ser satisfeito»

«Qual é o homem mais rico do mundo?» A resposta a esta pergunta levou um violinista e um produtor de música country a compor uma canção, nos anos cinquenta. Inspiraram-se em conversas de família que tiveram na infância e o resultado foi «Uma mente satisfeita». Desde então, tem sido tema de eleição para covers de artistas famosos como Johnny Cash, Jeff Buckley, Bob Dylan e Chris Cornell. O que é que a canção tem, e sendo dos anos cinquenta, ao que é que vem?

O lema é simples.

Se eu tivesse o dinheiro do outro, faria as coisas a meu modo. Hmm, é dificil encontrar uma mente satisfeita.
Já tive, sem esperar, fortuna e fama (…) e acabei por perder tudo. Hmm, Mas sou mais rico com uma mente satisfeita.

Quando a minha vida se for, amigos e amores também (…) Humm, vou deixar este velho mundo com uma mente satisfeita.  

Neste velho mundo, de pouco adiantam já os lamentos. «I can´t get no satisfaction» teve o seu tempo, o tempo de dar voz a uma evidência secular. «Ok, e o que fazer acerca disso? Talvez começar pelo que REALMENTE (a um nível mais profundo e essencial) satisfaz. Chegámos à Era digital com um sentimento de insatisfação global. Sair da bolha e voltar à base é o lema.

Na economia, na ecologia, na filosofia de vida. Aqui, em particular, ganham novo sentido os novos termos «auto sustentável», «amigo do ambiente» e «poupança energética». Sintonizar no essencial e preservar alicerces, no plano íntimo e social, é a grande revolução por empreender. Para Ser. No resto, nada é garantido.

 

Texto de Clara Soares

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